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Colóquio | As Inquietações de Janus – Rostos Ontológicos e Sociais na Obra de Lídia Jorge

Setembro 21-10:00 - 18:30

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Este pode ser considerado o momento alto desta 4.ª edição de Alvalade Capital da Leitura. O colóquio “As Inquietações de Janus – rostos ontológicos e sociais na obra de Lídia Jorge” acontece no primeiro dia do evento reúne na Biblioteca Nacional de Portugal os seguintes conferencistas: Fernando Pinto do Amaral, Carlos Reis, Guilherme d’Oliveira Martins, António Carlos Cortez, Maria Graciete Besse, Pierre Léglise Costa, Carina Infante Carmo, José Cândido Oliveira Martins e Isabel Pires de Lima.

Conheça abaixo a sinopse das intervenções de cada um dos convidados pelo curador do evento, Carlos Vaz Marques.

MANHÃ

Carlos Reis

Título: A dimensão social de um Contrato sentimental ou as faces da escritora.

Sinopse: Em Contrato sentimental, Lídia Jorge reflete sobre temas determinantes do nosso tempo: comunicação, língua, identidade, mobilidade, autonomia, etc. A integração dessa reflexão num contrato sentimental não cancela, todavia, as dimensões sociais que esse contrato implica. Ao mesmo tempo, a escritora revela uma outra face, a de ensaísta, que é paralela à de ficcionista, mas não dissociada dela”.

 

Guilherme d’Oliveira Martins

Título: Lídia Jorge – Das Raízes à compreensão da Cidadania

Sinopse: Como Lídia Jorge salientou, num ensaio marcante na sua reflexão: “Fiz o meu contrato sentimental com os livros que se parecem com as árvores, aqueles que são da sua matéria, leio cada um desses livros à vez, e cada folha é lida uma após outra…”.  De facto, é esta atitude que fica bem evidenciada no percurso intelectual, cultural e ético que fica espelhado numa obra multifacetada, que nos permite compreender a realidade humana como procura e compreensão do outro, do múltiplo e do diferente.

 

Conceição Brandão

Título: O corpo arqueológico da memória em Lídia Jorge

Sinope: Debruçando-se sobre o sentido dos novos ritmos do romance contemporâneo, Carlos Fuentes vê o romance «como o lugar de encontro da nossa humanidade inacabada». Assim, compreende-se que a matéria do romance interliga a imaginação e a linguagem, a memória e o desejo, propondo, à luz do que defende Milan Kundera,

«que o romance é uma perpétua redefinição do ser humano como problema».

Desde O Dia dos Prodígios (1980) até à sua obra mais recente, Estuário (2018), Lídia Jorge mobiliza o legado da memória para filtrar o tempo sensível reorganizar e resgatar do silêncio as vozes do passado que, através da construção literária, de uma releitura crítica da História aliada a um olhar profundamente ético, nos colocam em diálogo com um presente em permanente questionamento. Ao apresentar esta memória viva do tempo, a autora faz da sua escrita romanesca uma resposta literária ao apelo do real, que acolhe na sua memória como herdeira ou como testemunha. No corpo arqueológico da memória, Lídia Jorge guarda o espólio de que se serve para desdobrar o tempo num movimento contínuo, unindo pontas soltas, interpretando os pedaços atirados à deriva dos esquecimentos.

TARDE

António Carlos Cortez

Título: Tréguas para a prosa. Tréguas para o nosso tempo. A Poesia de Lídia Jorge.

Sinopse: Questionar os motivos e temas do livro de poesia de Lídia Jorge e compreender o substrato profético/poético de uma «autobiografia autorizada», vendo como pessoa, voz, frase e imagens se produzem, eis o fito desta comunicação. Num livro em que a respiração narrativa não está ausente, de que tréguas vem falar-nos esta poesia?

 

Pierre Léglise Costa (por vídeo-conferência)

Título: Lídia Jorge e a França

 

Fernando Pinto Amaral

Título: Improvisos sobre alguns poemas de Lídia Jorge

 

Maria Graciete Besse

Título: Lídia Jorge e a ontologia do devir: uma leitura de Estuário

Sinopse: O presente trabalho explora o universo ficcional de Lídia Jorge com o objectivo de analisar, nomeadamente em Estuário (2018), a articulação entre narração e experiência na perspectiva do devir, conceito fundamental que permite discutir, segundo Gilles Deleuze, as afinidades entre literatura, ética e política. No romance publicado em 2018, a escritora mobiliza claramente a concepção benjaminiana da História, baseada na ideia de “redenção messiânica”, para reconfigurar uma situação de crise caracterizada por uma intensidade que culmina na obsessão manifestada pelo protagonista de escrever um livro destinado a salvar a Humanidade da catástrofe. Ao narrar o processo metapoético deste devir-livro, Lídia Jorge propõe um percurso ontológico fundado na rememoração do passado, capaz de incluir o mundo, a obra e o leitor, ao mesmo tempo que interroga a função da literatura na sociedade contemporânea.

 

José Cândido Oliveira Martins

Título: Vulnerabilidade humana e tentativa de redenção em Estuário de Lídia Jorge

Sinope: A fragilidade humana ocupa um lugar destacado no mais recente romance de Lídia Jorge, Estuário (2018). Na senda de outros romances da autora, este universo ficcional equaciona diversas questões que se colocam ao presente e, até premonitoriamente, ao futuro imediato da humanidade. As experiências e o conhecimento do mundo em crise revelam ligações inesperadas entre a crise do Estado e os problemas mais íntimos. Centrado na personagem do jovem Edmundo Galeano, regressado a Portugal com uma mão decepada depois de uma experiência africana, o romance conduz-nos por realidades aparentemente desconexas – desde a questão actual das ajudas humanitárias em campos de refugiados; até ao tema do desajuste da família, em derrocada financeira, com suas tendências para a segredo, mentira e manipulação. É notável a forma como a escritora articula estes planos diferenciados, do universal e do colectivo com o interpessoal e o íntimo. De permeio, o desejo ou tentativa de escrever um livro, enquanto tentativa de salvação, sobre a “dobra de um tempo”; bem como a presença de um conjunto de simbólicas referências intertextuais – excertos da “Ode Marítima” de Fernando Pessoa, da Ilíada de Homero e de Philippe Jaccottet, sem esquecer a alusão ao universo de Dostoievski.

 

Isabel Cristina Rodrigues

Título: Levantados do chão: Lídia Jorge e José Saramago.

Sinopse: Cronistas ambos de um tempo que não erradicou nunca a representação literária da fantasia, Lídia Jorge e José Saramago levantaram do chão (e, muito em particular, do chão de um mundo onde se vive ou viveu em Português) as suas respetivas obras literárias, marcadas estas (entre outros aspetos) pela dimensão ético-ideológica do gesto humano e pelo protagonismo do feminino. A presente comunicação procurará dilucidar alguns dos aspetos mais relevantes desta aproximação confluente entre os dois escritores.

 

 

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